Em um dos episódios, o Carlos Miranda fez uma participação.
Criei essa série de aventura, com o esquadrão defendendo a lei e a ordem, porém não era
uma série com intuito político.
Deixo sempre claro que a Aeronáutica nunca me pediu isso, embora sempre me dessem
todo o apoio.
Eram histórias de aventuras de mocinhos e bandidos, só que ao invés de lutarem na terra,
lutavam no céu.
Todos os roteiros eram baseados em fatos verídicos, porém fantasiados.
O enredo é baseado nos 4 personagens que vivem as mais variadas aventuras.
Por exemplo: temos história que narra a tentativa de rapto de um Diplomata estrangeiro
por opositores ao seu governo a de tomarem o seu País, os Águias conseguem evitar que
isso aconteça.
Os assuntos são bem variados como: contrabando de fronteira, missão de misericórdia
onde os Águias conseguem salvar a vida de várias pessoas.
Enfim, eles brigam aplicando diferentes modalidades de artes marciais e peripécias aéreas
no combate aos malfeitores.
Há poucos anos, exibi 2 episódios de "ÁGUIAS DE FOGO®", em 16mm, em uma
Convenção.
No público, quem não conhecia a série, ficou abismado. Os recursos técnicos e os
resultado dos efeitos especiais foram considerados tão bons como os de hoje.
Os efeitos aos quais me refiro, são de cenas aéreas, porque mostrávamos os pilotos
voando, mas, na verdade, eles nem saiam do chão.
Fazíamos muita improvisação "à lá brasileira", mas dava certo.
O Anselmo Duarte me chamou de louco por produzir um seriado com cenas aéreas.
O black projection não funcionava, então mandei fazer um painel de 7m x 5m,
pintado de um azul bem clarinho.
Nós filmávamos na Base Aérea de Cumbica e a tela foi colocada em cima dos
cavaletes, lá no aeroporto.
Então, filmávamos a cabine do piloto com o painel no fundo.
O problema é que não tínhamos nuvens.
Não dava pintar nuvens no painel, senão elas ficariam estáticas.
Então, para fazer as nuvens, usei extintores de incêndio de CO 2.
A câmera tinha uma cabeça parabólica e o operador, o Carlos Landini, dava um leve
movimento para parecer que o avião estava voando no céu entre nuvens.
Então, eu pedia:
"Nuvem!"
Aí o jato do extintor era lançado e dava o efeito que chegou a confundir o Brigadeiro da
Força Aérea, que queria saber onde eu colocava a câmera quando o avião estava voando.
Eu também usava o recurso de mesclar cenas com filmagens feitas por dentro do avião
quando este realmente voava.

Usei efeitos em outras cenas, como em perseguições e tiroteios.
Para forjar um tiroteio, eu tinha que filmar o cara atirando e depois, filmava a parede
recebendo os buracos das balas.
Hoje em dia, a computação gráfica faz tudo, mas naquela época, era tudo no jeitinho.
A série era composta de 26 episódios que estão em perfeito estado de conservação,
guardados na Cinemateca Nacional.
São eles:
1.
A Viagem 2.
O Diplomata 3.
O Rapto 4.
Contrabando 5.
Zona de Perigo 6.
A Procura 7.
Radio Compasso 8.
A Trama 9.
Urânio 238 10.
O Imprevisto 11.
O Invento 12.
Operação Rondon 13.
Operação Tatu 14.
O Agente 15.
O Alvo 16.
O Aspirante 17.
O Assalto 18.
Estação Clandestina 19.
A Competição 20.
Emergência 21.
Estação de Junção 22.
Mãe do Ouro 23. A Grande Revoada
24. Os Asilados
25. Terra de Índios
26. O Engraxate
Vale lembrar que o "ÁGUIAS DE FOGO®" fez muito sucesso. Tanto quanto
"O VIGILANTE RODOVIÁRIO®" tinha feito antes. Mas a produção durou apenas
10 meses, entre 1.967 e 1.968, pois perdi a guerra de audiência para as novelas. Em 1.967, o Brasil já tinha novela e a exibição do "ÁGUIAS DE FOGO®", aqui em
São Paulo e no Rio de Janeiro, coincidiu justamente com a exibição da novela "A Redenção",
em outro canal, e o público não deixou de ver as novelas para ver o "ÁGUIAS DE FOGO®"
ou mesmo "O VIGILANTE RODOVIÁRIO®".
O Águias perdeu para A Redenção, que na época alcançava 70% da audiência no eixo
Rio-São Paulo. Porém, em outros estados, a série tinha melhores índices, porque
passava em outro horário.
Para se ter uma idéia do sucesso do "ÁGUIAS DE FOGO®", em 1.970 eu viajei para
Bahia para filmar o carnaval, e um grupo veio correndo na minha direção me reconhecendo
como o ator da série, dois anos após ela ter sido encerrada.
Para o cinema, adaptei os episódios da série que recebeu o nome de "Sentinelas
do Espaço", do mesmo modo que eu também já havia feito com o Vigilante para
esse mesmo fim.
Um outro filme desse mesmo seriado adaptado, recebeu o nome de "Águias em Patrulha".
Sei que o público tem curiosidade de saber por onde andam os atores da série.
Bem, o Dirceu Conte morreu há vários anos.
O Edson Pereira, era passista e viajou pelo mundo todo e acabei perdendo contato
com ele.
O Roberto Bolán, após a série, foi contratado pela Rede Globo de Televisão por alguns
anos onde trabalhou em várias novelas da emissora, entre elas A Moreninha (vivida
pela atriz Nívea Maria), no marcante personagem Fabrício.
Casou com uma atriz da mesma emissora, mas se afastou da carreira.
Quanto a mim, atualmente estou trabalhando em dublagem.
Faço personagens em filmes e desenhos animados, entre eles, faço o personagem
principal "Rocko", um canguru, no desenho "a ViDa MoDeRnA De rOcKo"
Além disso, continuo escrevendo minhas histórias, e comandando a PROCITEL -
Produções Cine Televisão ltda., com meus filhos.
Continuo com projeto para "As novas aventuras do O VIGILANTE RODOVIÁRIO®".
Ary Fernandes