"ÁGUIAS DE FOGO"
 

Ary Fernandes Cria o 'ÁGUIAS DE FOGO'


"Sempre fui apaixonado pela aviação, tanto que sou brevetado e vôo aviões de pequeno
porte desde 1.962."

Sentia-me dividido entre seguir carreira na aeronáutica ou no cinema, minha outra paixão.

Acabei optando pelo cinema, porém os aviões nunca deixaram de estar presente

em minha vida.

Com o término do "O VIGILANTE RODOVIÁRIO®", continuei trabalhando como diretor

de comerciais para a Links Filmes.

Um dia, fui visitar um dos executivos da empresa Nestlé. Tratava-se de um suíço,

chamado Gilberto Valtério, responsável por ter garantido a produção do

"O VIGILANTE RODOVIÁRIO®", através do patrocínio da Nestlé.

Ele havia ido embora do Brasil, mas voltou em 1.967, então fui visitá-lo.
Durante uma conversa, ele me perguntou se eu tinha alguma idéia para uma nova série.
Contei-lhe que tinha criado um enredo de uma série sobre 5 pilotos do esquadrão
"ÁGUIAS DE FOGO®" e suas aventuras para proteger o território aéreo
brasileiro.
Ele gostou da minha idéia e pediu-me o custo de produção.
Em dois dias eu passei os valores para ele.
A empresa concordou e nós assinamos o contrato. Porém, eu não tinha nenhum
roteiro pronto, mas eles conheciam meu trabalho com "O VIGILANTE
RODOVIÁRIO®"
e confiaram no meu profissionalismo.
A princípio, eu havia escolhido 5 pessoas para o elenco:
Ricardo Nóvoa que interpretava o Tenente Celso;
Dirceu Conde, irmão de Hélio Souto, interpretava o Major Ricardo;
Roberto Bolant que interpretava o Aspirante Fábio;
Edson Pereira fazia o Sargento Fritz (o personagem fazia capoeira e acabava
utilizando-a ao invés de socos nas cenas de luta).
O quinto ator fui eu, interpretando o Capitão César.
Logo no início das filmagens, o Nóvoa se desentendeu com um dos atores e ele acabou
saindo da série.
Não o substitui, deixei o elenco com 4 personagens.
Abaixo, os integrantes de minha equipe técnica.
Assistente de Câmera:
Renato Damiani e Oswaldo Leonel
Contra Regra:
Fernando Garcia, Antônio Pinto e Henrique Borges
Chefe Eletricista:
Edgar Ferreira
Efeitos Sonoros:
Plínio Pereira
Assistente de Produção:
Roberto Bolant e Giovanni Lazanis
Assistente de Montagem:
Shirley Faria e Gilberto Wagner
Argumentistas:
Pena Filho, J.C. de Souza e Fábio Novais
Editor:
Luiz Elias
Diretor Assistente:
Pena Filho
Iluminador:
Angelo Rossi Neto
Diretor de Fotografia:
Juan Carlos Landini
Direção Geral:
Ary Fernandes

Em um dos episódios, o Carlos Miranda fez uma participação.
Criei essa série de aventura, com o esquadrão defendendo a lei e a ordem, porém não era
uma série com intuito político.
Deixo sempre claro que a Aeronáutica nunca me pediu isso, embora sempre me dessem
todo o apoio.
Eram histórias de aventuras de mocinhos e bandidos, só que ao invés de lutarem na terra,
lutavam no céu.
Todos os roteiros eram baseados em fatos verídicos, porém fantasiados.
O enredo é baseado nos 4 personagens que vivem as mais variadas aventuras.
Por exemplo: temos história que narra a tentativa de rapto de um Diplomata estrangeiro
por opositores ao seu governo a de tomarem o seu País, os Águias conseguem evitar que
isso aconteça.
Os assuntos são bem variados como: contrabando de fronteira, missão de misericórdia
onde os Águias conseguem salvar a vida de várias pessoas.
Enfim, eles brigam aplicando diferentes modalidades de artes marciais e peripécias aéreas
no combate aos malfeitores.
Há poucos anos, exibi 2 episódios de "ÁGUIAS DE FOGO®", em 16mm, em uma
Convenção.
No público, quem não conhecia a série, ficou abismado. Os recursos técnicos e os
resultado dos efeitos especiais foram considerados tão bons como os de hoje.
Os efeitos aos quais me refiro, são de cenas aéreas, porque mostrávamos os pilotos
voando, mas, na verdade, eles nem saiam do chão.
Fazíamos muita improvisação "à lá brasileira", mas dava certo.
O Anselmo Duarte me chamou de louco por produzir um seriado com cenas aéreas.
O black projection não funcionava, então mandei fazer um painel de 7m x 5m,
pintado de um azul bem clarinho.
Nós filmávamos na Base Aérea de Cumbica e a tela foi colocada em cima dos
cavaletes, lá no aeroporto.
Então, filmávamos a cabine do piloto com o painel no fundo.
O problema é que não tínhamos nuvens.
Não dava pintar nuvens no painel, senão elas ficariam estáticas.
Então, para fazer as nuvens, usei extintores de incêndio de CO 2.
A câmera tinha uma cabeça parabólica e o operador, o Carlos Landini, dava um leve
movimento para parecer que o avião estava voando no céu entre nuvens.
Então, eu pedia:
"Nuvem!"
Aí o jato do extintor era lançado e dava o efeito que chegou a confundir o Brigadeiro da
Força Aérea, que queria saber onde eu colocava a câmera quando o avião estava voando.
Eu também usava o recurso de mesclar cenas com filmagens feitas por dentro do avião
quando este realmente voava.
 
Efeito: avião voando. Do lado esquerdo, tela simulando o azul do céu.

Usei efeitos em outras cenas, como em perseguições e tiroteios.
Para forjar um tiroteio, eu tinha que filmar o cara atirando e depois, filmava a parede
recebendo os buracos das balas.
Hoje em dia, a computação gráfica faz tudo, mas naquela época, era tudo no jeitinho.
A série era composta de 26 episódios que estão em perfeito estado de conservação,
guardados na Cinemateca Nacional.
 
São eles:

1.    A Viagem

2.    O Diplomata

3.    O Rapto

4.    Contrabando

5.    Zona de Perigo

6.    A Procura

7.    Radio Compasso

8.    A Trama

9.    Urânio 238

10. O Imprevisto

11. O Invento

12. Operação Rondon

13. Operação Tatu

14. O Agente

15. O Alvo

16. O Aspirante

17. O Assalto

18. Estação Clandestina

19. A Competição

20. Emergência

21. Estação de Junção

22. Mãe do Ouro

23. A Grande Revoada

24. Os Asilados

25. Terra de Índios

26. O Engraxate



Vale lembrar que o "ÁGUIAS DE FOGO®" fez muito sucesso. Tanto quanto
"O VIGILANTE RODOVIÁRIO®" tinha feito antes. Mas a produção durou apenas
10 meses, entre 1.967 e 1.968, pois perdi a guerra de audiência para as novelas.
Em 1.967, o Brasil já tinha novela e a exibição do "ÁGUIAS DE FOGO®", aqui em
São Paulo e no Rio de Janeiro, coincidiu justamente com a exibição da novela "A Redenção",
em outro canal, e o público não deixou de ver as novelas para ver o "ÁGUIAS DE FOGO®"
ou mesmo "O VIGILANTE RODOVIÁRIO®".
O Águias perdeu para A Redenção, que na época alcançava 70% da audiência no eixo
Rio-São Paulo. Porém, em outros estados, a série tinha melhores índices, porque
passava em outro horário.
Para se ter uma idéia do sucesso do "ÁGUIAS DE FOGO®", em 1.970 eu viajei para
Bahia para filmar o carnaval, e um grupo veio correndo na minha direção me reconhecendo
como o ator da série, dois anos após ela ter sido encerrada.
Para o cinema, adaptei os episódios da série que recebeu o nome de "Sentinelas
do Espaço", do mesmo modo que eu também já havia feito com o Vigilante para
esse mesmo fim.
Um outro filme desse mesmo seriado adaptado, recebeu o nome de "Águias em Patrulha".
Sei que o público tem curiosidade de saber por onde andam os atores da série.
Bem, o Dirceu Conte morreu há vários anos.
O Edson Pereira, era passista e viajou pelo mundo todo e acabei perdendo contato
com ele.
O Roberto Bolán, após a série, foi contratado pela Rede Globo de Televisão por alguns
anos onde trabalhou em várias novelas da emissora, entre elas A Moreninha (vivida
pela atriz Nívea Maria), no marcante personagem Fabrício.
Casou com uma atriz da mesma emissora, mas se afastou da carreira.
Quanto a mim, atualmente estou trabalhando em dublagem.
Faço personagens em filmes e desenhos animados, entre eles, faço o personagem
principal
"Rocko", um canguru, no desenho "
a ViDa MoDeRnA De rOcKo"
Além disso, continuo escrevendo minhas histórias, e comandando a PROCITEL -
Produções Cine Televisão ltda.
, com meus filhos.
Continuo com projeto para "As novas aventuras do O VIGILANTE RODOVIÁRIO®".
 

Ary Fernandes

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INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial), em nome da  PROCITEL- Produções Cine Televisão Ltda.
Os direitos de autor da série do"VIGILANTE RODOVIÁRIO®" e da "CANÇÃO TEMA" são reservados a Ary Fernandes.
Os direitos de autor da série do ÁGUIAS DE FOGO" são reservados a Ary Fernandes
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